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Alugar ou compartilhar o carro gera renda extra

Lucia Camargo Nunes | De São Paulo

Já faz tempo que os especialistas em finanças advertem que o carro deixou de ser um investimento. Apesar do conforto e autonomia, trata-se de um bem que gera despesas, seja com combustível, manutenção, seguro ou impostos. Quando o orçamento aperta e as dívidas começam a surgir, o carro não precisa necessariamente ser mais um problema. Talvez ele possa ser uma solução.

Umas da saídas é tornar o carro em um ativo, até porque hoje a tecnologia ajuda bastante. As razões podem ser diversas. A gestora de negócios e educadora financeira Glaucia Sousa está de malas prontas para estudar e trabalhar por 7 meses em Dubai e decidiu, em vez de vender seu Chevrolet Cobalt 2015, alugá-lo. “Aluguei para um amigo, que precisava fazer transporte por aplicativo e estava com dificuldade para pegar carro de locadora. Fizemos seguro e contrato”, conta.

O acordo é assim: Glaucia cobra R$ 300,00 de aluguel por semana, mais R$ 50,00 para eventualidades. Total de R$ 1.200/mês, mais R$ 200,00. “As eventualidades são multa, manutenção, franquia. Se ele não usar esses R$ 200 excedentes por mês, depois eu devolvo para ele. Assim ele faz uma renda com o carro, como também uma reserva de emergência.”

O aluguel foi uma opção à venda. Para ela, a renda extra do carro vai ajudar a manter sua empresa enquanto estiver fora do país. “Caso eu venda, quando voltar será mais difícil financiar um novo carro. A vida de empreendedor tem disso. Então melhor deixar ele por aqui gerando renda”, explica Glaucia.

Esta não é a primeira vez que a empreendedora ganha um dinheirinho extra com seu carro. Ela conta que mesmo antes da pandemia utilizava seu Cobalt para levar idosos a consultas ou exames. “Por muito tempo usei meu carro cobrando uma diária e a gasolina, para acompanhar idosos. Levava também cachorro no veterinário.”

Daniel Tomás dos Santos, técnico em refrigeração, será o locatário do veículo de Glaucia. “Eu trabalho com ar-condicionado e já rodava com aplicativo (Uber), mas com a pandemia ficou inviável. Estava vendo a possibilidade de conseguir um carro mais barato e aí apareceu a Glaucia falando que ia viajar, não queria se desfazer do carro, mas não tinha quem cuidasse nesses meses. Ela já me conhece e sabe que eu sou um tanto cuidadoso com o carro, então ela teve a ideia de me propor esse aluguel, por um valor que fosse bom para mim e para ela”, afirma Daniel. E ficou bom para ambas as partes: “Eu, porque tinha os meus trabalhos com ar-condicionado e rodar pela Uber e ela, porque sabe que o carro está bem cuidado. Está dando certo.”

O acordo caiu como uma luva para Daniel. “Para alugar um carro assim hoje, numa locadora, custa cerca de R$ 2 mil, mais um caução de R$ 700 a R$ 1 mil, fica bem puxado”, diz. “Minha expectativa agora é que o carro me ajude a pagar algumas dívidas e, talvez depois, até consiga comprar esse carro da Glaucia, pagando em vez de um aluguel um financiamento. Vida de quem vai trabalhando é assim. É um ajudando o outro a crescer”, reflete Daniel.

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Carsharing

Assim como a tecnologia é fundamental para Daniel para rodar com Uber, um outro aplicativo também ajuda um baiano a ganhar renda extra. Eric Calmon, analista de RH, deixa seu Honda City 2013 na garagem de sua casa em São Cristóvão durante a semana. Para ir e voltar do trabalho em Camaçari ele utiliza o fretado da empresa. Foi então que conheceu o aplicativo de carsharing moObie, no qual o proprietário é contatado por um interessado em utilizar seu carro e lhe pagar diárias.

Desde junho de 2019 ele aluga seu City. De uma média de duas vezes por mês, em outubro passado ele alugou cinco vezes. A média mensal passou de R$ 400 para R$ 1.100. “Todas as pessoas para quem aluguei em outubro fizeram uma viagem. Com isso eu me planejo a fazer coisas que sem alugar eu não faria, como usar o dinheiro para viajar”, afirma.

Ele explica que o aplicativo funciona como um “Airbnb” dos carros. A higienização, por sua vez, é feita antes da utilização e conforme o que for combinado, na devolução. “Eu entrego o carro em um shopping e lá mesmo pago pela limpeza. Se a pessoa puder me entregar higienizado, muito bem. Senão, combinamos um valor da lavagem e eu levo depois.”

Eric acredita que a média de três dias de aluguel que faz hoje vai aumentar no final do ano, com a maior demanda por viagens de carro. “Minha expectativa é de alugar o mês inteiro”, diz o analista, que já planeja comprar outro carro para deixar à disposição da plataforma. “Assim posso fazer aluguéis mensais, até para quem quiser rodar com aplicativo de transporte”, conclui.

Fundadora

O moObie foi fundado por Tamy Lin em 2017 e hoje opera em 190 cidades. “A empresa aproxima pessoas interessadas em otimizar o investimento feito em um carro e obter uma renda extra (o proprietário) de pessoas que procuram um meio de transporte seguro e acessível (o usuário)”, explica a CEO. “O objetivo é conectar quem tem um carro com quem precisa de um temporariamente, tornando o processo de locação de veículo acessível e democrático.”

Entre seus diferenciais, ela destaca preços melhores do que locadoras convencionais, sem a necessidade de depósito caução. Além disso, o modelo de carro escolhido é o que a pessoa vai alugar (e não grupo de carros) e os veículos possuem cobertura de seguro com abrangência nacional e assistência 24 horas.

Caroneiros

Para quem precisa usar o carro por longas distâncias, uma opção para reduzir as despesas é o BlaBlaCar. Utilizado para quem percorre em média 200 km, o aplicativo de carona, fundado na Europa, também funciona em Salvador. A ideia não é gerar renda, mas economia de custos: o motorista que compartilha a viagem chega a reduzir sua despesa em até 75%, e o passageiro, de 30% a 50%, dependendo do destino.

Por causa da pandemia, a plataforma reforçou as recomendações de higienização dos veículos aos motoristas, uso de máscara, além de evitar o ar-condicionado, manter uma distância segura dos demais passageiros e não cumprimentar com apertos de mão ou abraços.

Refinanciamento

O carro ainda pode ser uma garantia para quem precisa de caixa. Quem tem um veículo quitado, precisa de dinheiro e não quer vendê-lo, pode oferecê-lo em um banco ou financeira para conseguir uma quantia equivalente a até 80% do valor do carro, com taxas de juros entre 1,5 e 2% ao mês.

“O refinanciamento é um empréstimo como outro qualquer, com a diferença que a pessoa dá uma garantia real, no caso seu veículo. Em tese, as taxas de juros são mais baixas. Porém, depende de cada caso: o ano do carro, estado de conservação, o período pelo qual se pega o crédito. É preciso analisar. Se comparar com crédito rotativo do cartão ou cheque especial, vale a pena”, afirma o planejador financeiro pessoal (CFP) Rodrigo Furtado.

Assalariados, por exemplo, devem comparar os juros do carro com as taxas cobradas pelo empréstimo consignado. “Na visão do planejamento, é importante avaliar por que está pegando esse recurso, se tem capacidade de pagamento da parcela e, em alguns casos, verificar quanto o carro custa, para mantê-lo ou não”, explica Furtado.

Outra vantagem do refinanciamento para o CFP é o prazo: enquanto nessa modalidade o interessado consegue pagar em 48 vezes, o crédito pessoal geralmente é mais curto, de 24 meses. “Quanto menor o tempo do financiamento, menor a taxa de juros e o montante a ser pago”, sugere o planejador financeiro.

Fonte: A TARDE

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